Quer saber mais sobre a escoliose? Nossos médicos responderam às dúvidas mais comuns

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Dr. Alexandre Fogaça Cristante, Dr. Alexander Junqueira Rossato, Dr. Maurício Coelho Lima, Dr. Olavo Biraghi Letaif, Dr. Paulo Tadeu Maia Cavali e Dr. Raphael Martus Marcon, médicos especialistas do Hospital ortopédico AACD

 

A escoliose, um desvio na coluna que pode causar dor, problemas respiratórios e até neurológicos, causa muitos questionamentos em quem convive com essa doença. Existe prevenção? Quais são os riscos? Quando é necessária uma intervenção cirúrgica.

 

Por isso, reunimos o time de médicos especialistas do Hospital Ortopédico AACD para responder as principais dúvidas que recebemos em nossos diversos canais. Confira:

 

  1. Como posso me prevenir da escoliose? É possível reverter com exercícios?

R: A melhor prevenção para a escoliose é o diagnóstico precoce. Com a identificação da escoliose ainda em estágio inicial ou em estágio menos avançado, as medidas terapêuticas adotadas podem ser menos agressivas e com taxa de sucesso mais elevada. Não existe comprovação científica definitiva que afirme que os exercícios podem reverter a escoliose. Contudo, os exercícios podem, em especial aqueles específicos para o cuidado da escoliose, evitar a progressão da deformidade e contribuir para a manutenção da musculatura tonificada e alongada, contribuindo para a contenção da evolução do problema e promovendo saúde.  

 

 

  1. Quando é necessária uma intervenção cirúrgica? E, mesmo após a cirurgia, a escoliose pode progredir? 

R: A intervenção cirúrgica depende de vários critérios, entre eles: a etiologia, ou seja, a causa base do desenvolvimento da escoliose; a probabilidade da curva ou deformidade aumentar; o tamanho atual da curva; os sintomas que a deformidade gera; as repercussões clínicas que a deformidade está causando ou pode causar; a condição clínica do paciente que pode ou não permitir a realização de uma cirurgia; entre outros fatores. A maioria das cirurgias de correção de escoliose interrompe a progressão da deformidade, um dos objetivos desse tratamento. Quando há mais de uma região da coluna com curva, ou quando há alguma peculiaridade clínica do paciente, algumas curvas ainda podem progredir, mas esses casos de exceção devem ser discutidos com o cirurgião responsável. 

 

  1. Existe uma idade limite para correção cirúrgica de escoliose severa?

R: Não há formalmente uma idade limite. Sabe-se, contudo, que curvas de maior valor angular e em pacientes mais velhos são deformidades em geral mais rígidas, que para passarem por adequada correção cirúrgica requerem manobras mais agressivas de correção. Curvas maiores e menos flexíveis normalmente necessitam de cirurgias mais extensas, mais demoradas e com maior perda sanguínea. O ideal é que o procedimento cirúrgico seja realizado tão logo haja indicação e tão breve sejam reunidas as melhores condições clínicas e técnicas.

 

 

  1. A pessoa já nasce com escoliose ou adquire com o tempo? A partir de qual idade devemos ficar atentos para não correr o risco de escoliose?

R: Existem escolioses que já estão presentes em maior ou menor grau desde o nascimento. Este tipo de escoliose é conhecida como escoliose congênita e normalmente está associada a mal-formações da coluna ou do tórax. Os outros tipos de escoliose até podem se manifestar na infância, mas em geral vão progredindo ao longo do crescimento (amadurecimento) do indivíduo, com destaque à época do estirão (puberdade), em que uma deformidade pequena da coluna pode crescer de forma mais acentuada. Destacam-se dois períodos da vida em que se deve estar particularmente atento ao surgimento de escoliose: adolescência, época da puberdade; e acima dos 60 anos, em que a escoliose pode surgir por degenerações (envelhecimento) das estruturas anatômicas da coluna.

 

 

  1. Tenho escoliose idiopática. Meus filhos podem ter?

R: A escoliose idiopática tem sim possibilidade de transmissão e herança genética. Sabe-se que a presença de escoliose dentro de membros de uma mesma família é comum. Já existem alguns genes mapeados que estão relacionados ao surgimento da escoliose, mas justamente pela variedade de genes conhecidos e desconhecidos envolvidos nesse processo ainda não é fácil realizar um aconselhamento de prognóstico ou evolução baseado exclusivamente em critérios genéticos. Os critérios clínicos ainda são os mais importantes na decisão terapêutica. É importante também ressaltar que membros da mesma família podem ter escoliose em diferentes formas e gravidades. Aconselha-se um olhar mais cuidadoso dentro das famílias com histórico de escoliose, mas a avaliação médica é decisiva na tomada de condutas diagnósticas ou terapêuticas.

 

  1. Uma pessoa com escoliose corre o risco de ficar paraplégica?

R: O risco de paraplegia pela evolução natural ou crescimento da curva é muito raro, mas algumas deformidades que podem causar compressão ou estiramento da medula merecem maior atenção quanto à evolução neurológica. Em geral, nesses casos específicos de compressão medular, as alterações neurológicas ocorrem lenta e progressivamente. De todo modo, os casos de deformidade da coluna associados a alterações neurológicas como perda de força, diminuição da sensibilidade ou dificuldade para controlar evacuação e micção devem passar por rigorosa avaliação clínica médica e possivelmente serão indicados exames complementares, especialmente exames de imagem como tomografia e ressonância magnética.

 

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