• O cenário exige mais investimento em prevenção, reabilitação e cuidado continuado, com foco na autonomia da população 60+.
• Na AACD, os idosos já representam 25% dos pacientes, refletindo a mudança no perfil demográfico brasileiro.
• A instituição defende que investir em reabilitação reduz internações, dependência e custos do sistema de saúde no longo prazo.
por Valdesir Galvan, CEO da AACD
O Brasil vive uma das transformações demográficas mais profundas de sua história. Com a queda na taxa de nascimentos e o aumento da expectativa de vida, estamos deixando de ser um país majoritariamente jovem para nos tornarmos uma nação que envelhece em ritmo acelerado. Esse novo momento impõe desafios ao sistema de saúde, às políticas públicas e à forma como a sociedade enxerga o processo de envelhecimento.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que de 2000 a 2023, a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais quase dobrou, subindo de 8,7% para 15,6%. Atualmente a maior parcela da população (26,2%) tem entre 40 e 59 anos, mas em 2042 o grupo de pessoas idosas já será o maior. Estima-se que em 2070 cerca de 37,8% dos habitantes do país serão idosos.
Reabilitação e autonomia no centro do cuidado
O aumento da expectativa de vida vem acompanhado da necessidade de adequação do sistema de saúde a esse cenário, com o intuito de garantir a preservação da autonomia e da independência funcional dos idosos. Protocolos de reabilitação são essenciais tanto para o tratamento de sequelas motoras e amputações resultantes de doenças, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e diabetes, quanto para as limitações funcionais atreladas ao envelhecimento.
Como sociedade, precisamos colocar o envelhecimento no centro das decisões estratégicas. Isso implica ampliar investimentos em prevenção, incentivar hábitos saudáveis ao longo de toda a vida, estruturar redes de cuidado continuado e assegurar o acesso à reabilitação. Também exige reconhecer que envelhecer não significa perder protagonismo.

AACD acompanha a mudança de perfil dos pacientes
O perfil das pessoas atendidas pela AACD acompanha as mudanças populacionais. Atualmente, a maioria dos pacientes da instituição, que em 1950 surgiu dedicada ao cuidado de crianças com deficiência física, são adultos (66,5%). Os atendimentos de idosos também têm crescido nos últimos anos: em 2021, o índice de pessoas com mais de 60 anos acompanhadas pela AACD foi de cerca de 19%, e em 2024, um quarto dos pacientes assistidos (25%) estava nessa faixa etária
Na AACD, a população idosa encontra tratamentos multiprofissionais personalizados e focados na retomada ou na manutenção de atividades do cotidiano, como caminhar, se alimentar e se comunicar. O grupo é formado por pessoas com problemas de mobilidade congênitos ou adquiridos – que podem ser consequências de doenças como AVC, diabetes, câncer, Parkinson, osteoporose, além de degeneração por idade e quedas.
Investir na reabilitação é preparar para o futuro
Com 80% dos seus atendimentos realizados via SUS (Sistema Único de Saúde), a AACD é um importante parceiro do acesso gratuito à ortopedia, neuro-ortopedia e reabilitação de pessoas idosas com mobilidade reduzida permanente ou temporária. Recuperar ou manter funcionalidade significa reduzir internações, dependência e custos de longo prazo. Instituições como a AACD mostram, na prática, que investir em reabilitação é investir em sustentabilidade do sistema de saúde. No entanto, é essencial que os serviços estejam disponíveis de forma mais abrangente na rede pública. Também é importante ampliar a oferta particular de atendimentos especializados voltados às necessidades específicas desse público.
Apesar de os dados demográficos serem conhecidos há décadas, o país segue tratando o envelhecimento como um problema futuro, quando ele já é uma realidade presente. Preparar o sistema de saúde para uma população mais velha é, acima de tudo, preparar o país para um futuro mais humano e justo para todas as gerações.
Repercussão na imprensa
A fim de ampliar o debate sobre o tema, a AACD se conectou à imprensa. Como resultado, este artigo de opinião foi publicado no Jornal O Tempo.
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