Restringir um braço para ensinar o outro: conheça a TCI da AACD
Resumo da notícia
• A AACD treinou seus profissionais diretamente com Edward Taub, criador da técnica, na Universidade do Alabama.
• A AACD é a única instituição no Brasil a oferecer a TCI também para pacientes do SUS.
• +400 pacientes beneficiados, quase duas décadas de experiência clínica na TCI.

Profissional da AACD acompanha paciente durante atividade de reabilitação voltada ao equilíbrio e aos movimentos dos membros inferiores.
Imagine descobrir que seu braço ainda pode se mover, mesmo depois de anos achando que não era possível. Essa é a proposta por trás da Terapia por Contensão Induzida (TCI), um tratamento que parece simples à primeira vista, mas que esconde décadas de ciência e um protocolo rigoroso por trás. A AACD é referência nacional nessa técnica, que consiste em imobilizar o braço saudável para enfatizar o uso do braço afetado. Conhecer as indicações da TCI pode ser o primeiro passo para recuperar movimentos que pareciam perdidos.
O que é a Terapia por Contensão Induzida?
Os profissionais contêm o braço que funciona bem com uma luva, no caso dos adultos, e com um gesso, no caso das crianças. Enquanto isso, estimulam o braço mais fraco de maneira intensiva e repetitiva por meio de atividades do dia a dia.
Segundo a Universidade do Alabama, referência mundial no método, esse período intensivo é necessário para que o cérebro “perceba” que o membro afetado ainda existe. A partir desse estímulo, ele pode voltar a ser tão funcional quanto o outro.

Paciente realiza exercício em bicicleta ergométrica com orientação de uma profissional da AACD.
Restringir o lado saudável do corpo para estimular o lado afetado pode parecer contraintuitivo. No entanto, é justamente essa restrição que obriga o cérebro a sair da zona de conforto e reaprender.
TCI para Membros Inferiores
Após os excelentes resultados alcançados com a TCI para os braços, surgiu a possibilidade de aplicar os mesmos princípios ao treinamento da marcha e do equilíbrio em pacientes adultos.
Em 2016, nossa equipe passou por um treinamento especializado para implementar a TCI para membros inferiores. Inicialmente, nossa equipe utilizou a técnica em pesquisas para avaliar seus resultados clínicos. Posteriormente, o protocolo passou a ser oferecido aos pacientes, tornando a AACD novamente pioneira no Brasil.
Os benefícios do tratamento podem ser percebidos em tarefas cotidianas, como caminhar dentro de casa, ir ao banheiro sem auxílio e realizar pequenos deslocamentos.
A terapia também favorece maior autonomia para utilizar transporte público e participar de atividades sociais. Além disso, permite desempenhar a rotina com mais confiança, tanto no ambiente domiciliar quanto na comunidade.
Quando a TCI é indicada?
Nem todo paciente com dificuldade motora é candidato à Terapia por Contensão Induzida, e essa é uma das primeiras curiosidades sobre o método.
Antes de iniciar o protocolo, a equipe realiza uma avaliação cuidadosa. Isso porque a pessoa precisa apresentar um mínimo de movimento ativo no braço para que o tratamento funcione. Quem tem rigidez ou nenhum sinal de movimento voluntário costuma ter indicação para outras terapias.

Profissional da AACD realiza avaliação e estimula os movimentos do membro superior durante a sessão de reabilitação.
De maneira geral, a indicação é para pessoas que usam um braço muito mais do que o outro em razão de uma sequela neurológica. Esse comportamento é chamado de não uso aprendido. Isso acontece com frequência em quadros de lesões no cérebro, como: AVC, traumatismo cranioencefálico e paralisia cerebral, tanto em adultos quanto em crianças.
AVC, paralisia cerebral e o papel da Terapia por Contensão
O acidente vascular cerebral está entre as principais causas de limitação motora no país. Também é um dos quadros que mais levam pacientes a buscar a Terapia por Contensão Induzida.
Nesse contexto, a reabilitação neurológica precisa começar o quanto antes. Quanto mais tempo o braço afetado permanece sem uso, mais o cérebro “aprende” a ignorá-lo. Esse fenômeno é conhecido pelos profissionais como não uso aprendido.
O mesmo raciocínio vale para crianças e adolescentes com paralisia cerebral que apresentam um lado do corpo afetado desde o nascimento ou na primeira infância. Nesses casos, o cérebro ainda em desenvolvimento responde de forma notável aos estímulos intensivos da terapia. Por isso, o tratamento se torna especialmente promissor nessa fase da vida.
Por que a AACD é referência nacional em TCI?
Os profissionais que aplicam a TCI na AACD foram treinados diretamente por Edward Taub, neuropsicólogo estadunidense que criou a técnica e a desenvolveu ao longo de décadas de pesquisa. Para isso, a instituição enviou profissionais à Universidade do Alabama, berço do protocolo original, trazendo o método para o Brasil conforme sua aplicação internacional.
O tratamento existe na AACD desde 2009, o que significa quase duas décadas com mais de 400 atendimentos já realizados. Não é exagero dizer que a instituição carrega hoje um dos históricos mais consistentes do país nessa área, algo raro em um tratamento tão especializado e intensivo.

Paciente realiza treino de marcha com acompanhamento de um profissional da AACD durante a reabilitação.
Outro diferencial importante é o acesso ao tratamento. A AACD oferece a TCI também para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que 80% dos atendimentos da Instituição são realizados por esse meio de acesso, o que amplia consideravelmente o alcance de um tratamento.
Como funciona o protocolo na prática?
Na AACD, o paciente adulto passa pela TCI durante duas semanas seguidas, de segunda a sexta-feira, com três horas diárias de terapia intensiva. Nos fins de semana, o trabalho continua. O paciente segue praticando tarefas em casa, sempre com o braço não afetado contido pela luva.
Já com as crianças, o protocolo dura três semanas e a contenção acontece por meio de um gesso, usado 24 horas por dia. Para manter o interesse e o foco dos pequenos pacientes, os profissionais utilizam recursos lúdicos, jogos e brincadeiras que transformam exercícios repetitivos em atividades prazerosas.
Resultados que impressionam pacientes e famílias
Os números acompanhados pela AACD ao longo dos anos surpreendem até quem já conhece a área da reabilitação. A maioria das crianças e adolescentes que passaram pelo protocolo apresentou ganhos motores expressivos. Saiba mais sobre a Terapia por Contensão Induzida e os demais tratamentos oferecidos pela instituição em aacd.org.br.